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Dunas e lagoas

admin | 14 de setembro de 2007

Praia de Flexeiras

A região que vai de Bitupitá (extremo oeste do Ceará, divisa com o Piauí) à Fortaleza é a mais extensa e selvagem. Com exceção da região que vai da Barra do Ceará até Cumbuco, que é bem próximo à área urbana de Fortaleza e dispõe de infra-estrutura, encontramos ali praias ainda pouco exploradas pelo turismo e que terão como base as cidades de Camocim, Jericoacoara, Acaraú, e Paracuru. Aqui predominam as dunas e a beleza fica por conta das lagoas, de todos os tamanhos, que pontuam a região. Por serem menos habitadas o trajeto entre uma praia e outra (povoado) deve ser feito com muito cuidado, prestando bastante atenção na quilometragem a ser feita, rios para atravessar, marés e na possibilidade de se obter água.

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Ceará: sol, dunas e falésias.

admin | 10 de setembro de 2007

Praia de Flexeiras

O Ceará possui 577 dos 8.000 km de praias do litoral brasileiro. Os ecossistemas predominantes são as dunas, que são cortadas por pouquíssimos rios, devido à aridez da região. A peculiaridade é que este litoral é centrado pela bela cidade de Fortaleza, balizada ao leste por Canoa Quebrada (Costa Sol Nascente) e a oeste por Jericoacoara (Costa Sol Poente). Esta localização quase que simétrica destas cidades em relação à Fortaleza é uma grande vantagem para o viajante, principalmente para o praticante do trekking (ver definição de trekking em matéria passada sobre os Lençóis Maranhenses). Fortaleza serve de base para conhecer as regiões próximas a Canoa Quebrada e Jericoacoara, nos dois extremos.Trekking no litoral do Ceará.

Jericoacoara
Devido ao caráter árido do litoral cearense são poucos os grandes rios a serem atravessados, o que sempre dificulta os praticantes do trekking. Mesmo estes poucos como o Jaguaribe, Choro, Mal Cozinhado, Acaraú e Coreaú, têm sempre uma canoa ou uma jangada que volta do mar para nos atravessar, quando não uma balsa. As praias do Ceará são excelentes para caminhada, pois são em sua maioria pouco inclinadas e de areia batida (dissipativas). Nas baixas marés elas se tornam verdadeiros “tapetes”, o que facilita muito ao caminhante. A proximidade do Equador faz com que as temperaturas oscilem muito pouco. O forte calor é abrandado no litoral pelos ventos constantes e as 2.800 horas de sol por ano devem ser protegidas por um bom par de óculos escuros. Uma rede confortável de hotéis e pousadas estrategicamente localizadas permite que não se necessite levar barracas ou saco de dormir em grande parte do trajeto. Isto faz com que o caminhante leve pouco peso e possa caminhar mais e desfrutar das belezas desse litoral maravilhoso. De 20 em 20 km, no máximo, o ideal para caminhar em um dia, encontramos uma vila de pescadores onde podemos comer uma boa peixada, tomar uma cerveja gelada e bater um bom papo com essa gente hospitaleira que é capaz de oferecer sua própria rede em casos extremos.

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Delta do Parnaíba – hoje!

admin | 18 de agosto de 2007

Delta do Parnaíba

Bela surpresa ter retornado a Parnaíba, a capital do Delta, novamente com nossos amigos Jenilson da Clip, o multimídia Zé de Maria e os sempre queridos Ingrid e Mario da Ilha do Caju. O velho casarão da família Clark que tinha sido adaptado para ser uma pousada foi ampliado mas não perdeu suas características, pelo contrário, ficou mais charmoso ainda. Numa noite discutimos bastante sobre este aspecto do turismo com a Ingrid, de como determinadas pessoas e até comunidades inteiras, matam a galinha dos ovos de ouro. Imediatistas, pensam em desfrutar ao máximo o seu produto, não levando em conta o futuro e desprezando itens que são fundamentais, como bom gosto e atendimento.

Delta do Parnaíba

A outra grande surpresa foi a criação do Instituto Ilha do Caju. Numa reunião com os vários pesquisadores que estão trabalhando em parceria com o Instituto conhecemos gente, na maioria biólogos, vindos do Rio de Janeiro como também da própria Parnaíba, todos muito jovens e cheios de energia, falando com carinho dos seus jacarés, cobras, lagartos e aranhas. Já na ilha fomos logo visitar o Mirante, instalado sobre uma das dunas mais altas da ilha e de onde se pode contemplar desde o mar, às lagoas, dunas, restingas, alagados além do sol se pondo quase paralelo a lua crescente. Por toda a noite e madrugada adentro estivemos com esta rapaziada intrépida, com uma paciência beirando ao zen na espera e captura de jacarés para serem medidos, pesados e catalogados. Mario nos conta detalhadamente que se queremos preservar de fato a natureza temos não só que deixar de agredir a fauna e a flora, mas também estar em sintonia total com as comunidades do entorno como também estudar exaustivamente este ecossistema para então fazer parte dele.

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Delta do Parnaíba – 10 anos atrás!

admin | 14 de agosto de 2007

A ilha do Caju é o lugar por excelência para se conhecer o Delta do Parnaíba. Localizada na parte maranhense, ela oferece um painel dos vários ecossistemas que compõem o Delta: praias, dunas, lagoas, além da vegetação que vai da restinga, passando por coqueiros até carnaubais. Os anfitriões para esta aventura que começa na sempre bela e arejada Parnaíba são a Ingrid e o Mario. Filha de ingleses, cujos antepassados viviam do comércio em Parnaíba, Ingrid foi a grande responsável pela transformação da ilha no que é hoje, uma unidade de conservação com referências internacionais. Mario, seu companheiro, é um catalão que além de trazer uma larga experiência com o turismo é um cozinheiro de mão cheia. Ficamos hospedados em Parnaíba no casarão da família Clark, hoje transformado em pousada. São mais de cem anos de histórias, com móveis e utensílios que pouco mudaram com o passar deste século. Ficar sentado numa daquelas amplas poltronas, lendo ou simplesmente saboreando o café e o licor de jenipapo depois do jantar é uma experiência inigualável, que deve ser vivida intensamente até que seja anunciada a partida para a ilha do Caju. A viagem é feita no barco próprio da Pousada do Caju e nos proporciona um primeiro contato com a exuberância do Delta. Fomos seguindo pelo rio Parnaíba até que este se transformasse em uma infinidade de canais onde só os mais experientes podem navegar. A vegetação de mangue começa a predominar e com ela os milhares de pássaros e caranguejos até que surja uma duna onde o barco pode fazer uma parada e possamos nos deliciar na água meio rio meio mar. A chegada na ilha é da forma mais discreta possível e a impressão que temos não é a de estar hospedado numa pousada, mas sim numa fazenda, daquelas seculares, como realmente foi a sede na ilha. Os chalés são amplos e rústicos, e as camas são aquelas imensas com colchas e lençóis sempre muito alvos além de imensos cortinados para não deixar dúvidas sobre a presença de mosquitos. No dia seguinte, depois do farto café da manhã, começam as atividades. Estávamos num grupo de seis pessoas e na ilha os grupos costumam não ser numerosos, já prevendo o impacto ambiental. Tudo indicava que seria uma bela jornada.

Delta do Parnaíba

Nossa primeira “tarefa” foi conhecer o mangue de perto e um nativo foi conosco para mostrar como se cata o caranguejo. Tudo bem que já conhecíamos bem o ecossistema mangue, mas para a Bárbara, a suíça, que nunca tinha visto mangue na vida… Fiquei lembrando da primeira vez que vi neve nos Alpes italianos, da minha cara de bobo. A surpresa foi que o nativo não se limitou a mostrar como se pega o caranguejo, mas também nos convidou a entrar na lama para a festa. Fomos para uma parte do mangue onde não havia vegetação, só lama, e aos poucos todos foram entrando e não demorou muito já estava uma verdadeira guerra de lama, tal e qual aquela que nos vemos nos filmes estrangeiros com a neve de Natal. Só que desta vez era Chico Science e o Mangue Beat! Depois de um bom banho pegamos os cavalos e fomos fazer o reconhecimento da ilha. Seguimos pela praia, mas aos poucos o calor e a falta de prática para cavalgar começaram a incomodar não a Bárbara, mas a Jean, o francês. Tivemos de parar algumas vezes, mas nada que inviabilizasse a caminhada. Nosso objetivo era chegar à parte oeste da ilha, onde as dunas são imensas e iríamos pernoitar. Logo Jean se recuperou e quando chegamos ao ponto indicado o sol já estava baixo, soprava uma brisa fresca e o astral era o melhor possível. Armamos as barracas, tomamos um banho de cuia, fizemos uma fogueira e ficamos ali sentados assando uma carne e comentando o dia. Além de mim, Canário, da Bárbara e Jean, estavam o nosso guia, além do Paulo, um arquiteto paulista. A noite era escura, lua nova. Pouco saíamos de perto da aconchegante fogueira, somente para apreciar a Via Láctea sobre nossas cabeças, parecendo que podíamos tocá-la. A brisa ainda soprava morna e ficamos ali por um bom tempo, simplesmente contemplando. O prazer de estar cercado pela natureza tão selvagem naquele momento único, divino.

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Lençóis Maranhenses – hoje!

admin | 10 de agosto de 2007

Lençóis Maranhenses

Barreirinha é considerada hoje a porta de entrada dos Lençóis Maranhenses – LM. Infelizmente aquele ar bucólico e interiorano da cidade deu lugar a um crescimento desenfreado da periferia como também do vai e vêm estressantes de toyotas, táxis e moto-táxis. O mesmo pode-se dizer do trânsito intenso das embarcações levando e trazendo turistas no antes sinuoso e bonachão rio Preguiças. Toda esta agitação parece estar contida ali no Caburé, onde um grande número de pousadas se instalou. No Atins, na borda dos LM, o número de empreendimentos (pousadas, bares, restaurantes, etc.) parece ainda estar contido.

Lençóis Maranhenses

A estrutura do PNLM é frágil, como na maioria das unidades de conservação do Brasil e, apesar da boa vontade de seus dirigentes, tudo indica que a harmonização entre PNLM x comunidades tradicionais x turistas e políticos de todas as esferas, vai ser crucial. Ainda é possível encontrar gente como o seu Antônio e dona Magnólia que moram na borda dos LM e que sem pressa e ganância servem seu camarão grelhado para os que têm fome e uma cerveja gelada para os que têm sede. Visitantes de todas as partes do planeta que buscam a paz e o silêncio das dunas e lagoas que se sucedem. Uma incursão um pouco mais arrojada nos leva ao Ponta de Mangue, comunidade no interior dos LM onde encontramos um povoado praticamente sem homens adultos, já que todos estavam no mar. As mulheres cuidam da casa, do quintal e dos filhos que embaixo de um sol escaldante seguem para a escolinha. É lá também onde a comunidade guarda o seu mais precioso bem material, um freezer alimentado por energia solar que armazena os produtos perecíveis (peixe, carnes, manteiga, etc.) de todas as famílias. Mais do que dunas, lagoas, camarão grelhado e cerveja gelada, o que é muito bom, são estes exemplos de fraternidade e solidariedade que se pretende preservar em lugares como o PNLM.

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Lençóis Maranhenses – 10 anos atrás!

admin | 7 de agosto de 2007

Lençóis Maranhenses

Nossa chegada em São Luís do Maranhão, a capital do estado nordestino com o maior número de unidades de conservação foi plena de ansiedade. Na parte leste do estado as dunas e as restingas predominam sendo que o extraordinário e único Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses – PNLM – era nosso objetivo maior .
Para conhecer o parque é preciso muita atenção, cuidado e respeito! Não é o tipo do lugar onde você pode ir aventurando – se sozinho. Exige o acompanhamento de um guia ou de um nativo com conhecimento comprovado da área. Imagine 70 km de litoral por até 30 km de dunas e lagoas verde-azuladas avançando continente adentro. E o mais incrível, esta beleza repete-se a todo o momento. Não há outro referencial a não ser o sol, a lua e o vento. Por mais que você tente encontrar a duna mais alta para poder achar o mar ou as pastagens, encontrará sempre uma outra duna… Por isto que entrar no interior dos Lençóis exige toda esta precaução.
O PNLM é um fenômeno único no litoral brasileiro e no mundo. São 155 mil hectares de dunas. A primeira vista poderíamos imaginá-lo como qualquer outro deserto do mundo, o Saara incluído. Mas o que torna o PNLM único é que ali chove 300 vezes mais do que no Saara e isto produz um fenômeno indescritível. As chuvas, que caem basicamente no primeiro semestre, o que eles chamam de “inverno”, enchem as lagoas. Entre maio e junho já no final do período chuvoso é que as lagoas costumam transbordar formando um fenômeno muito interessante. São as “cachoeiras” na areia, águas de lagoas muito cheias que vazam para outras.
É bem verdade que no interior do nosso Saara também encontramos oásis. A Queimada do Brito e a Baixada Grande são comunidades onde as pessoas não têm luz e muitas nunca viram um carro, uma televisão ou qualquer coisa que não tenha sido trazida por gente de fora. Vivem da agricultura de subsistência (mandioca), criação de patos e galinhas, caprinos e alguns arriscam dar um pulinho até a praia (24 km ida e volta!), para pescar.

Lençóis Maranhenses

Aqui tivemos a oportunidade de acampar e conhecer o saudoso seu Brito. Era o patriarca da comunidade que levava seu nome e o pouco tempo que passamos juntos nos deu a oportunidade de aprender algumas coisas. Deitado em sua rede não economizava o sorriso, sempre fazendo uma gozação, uma brincadeira com os da cidade. Não gostava de ser fotografado. Num mundo em que a imagem comanda e todos se curvam, o seu Brito ficava ali na sua rede como se dissesse “deixa eu ficar aqui no meu canto sossegado…”
Seguimos caminho pois iríamos dormir na praia para seguir caminho até Travosa no dia seguinte,vila no extremo oeste do PNLM. Nosso guia foi o João, pescador que estava passando um tempo na Queimada. Tinha uma faixa na perna, mas caminhava forte subindo e descendo dunas iluminado pela lua cheia. Falava pouco e não largava sua garrafinha de plástico que no início pensávamos ser água. Finalmente, depois de atravessarmos uma faixa imensa com água pelos joelhos chegamos à praia. Achamos uma cabana de pescadores abandonada e optamos em pernoitar ali. Convidamos João para descansar um pouco, já que ele teria de retornar ao Brito ainda naquela noite. Foi então que ficamos sabendo de suas histórias. João tinha, junto de alguns colegas pescadores, naufragado há tempos atrás e ficado dois dias boiando em mar alto até ser resgatado. A bebida que levava nas mãos, não era água, e sim tiquira, uma aguardente feita da casca da mandioca! E foi ela que embalou nosso papo noite adentro!
O Parque vem sendo cada vez mais visitado por turistas, principalmente aqueles ligados ao turismo ecológico, científico e de aventura. Toda esta beleza envolve desde dunas e lagoas, fauna e flora, além das comunidades que ali existem e vivem em estreita harmonia formando porém um ecossistema muito frágil.

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Navegando nas Reentrâncias Maranhenses

admin | 30 de julho de 2007

Ilha dos Lençóis

Comumente confundida com os Lençóis Maranhenses a ilha dos Lençóis é o lugar ideal para quem quer navegar pelas águas do litoral maranhense e conhecer seus “furos”, baías e manguezais. A ida para a ilha dos Lençóis é uma mostra perfeita do que seja este ecossistema denominado Reentrâncias Maranhenses.

Ilha dos Lençóis

No Maranhão este ecossistema vai da baía de Cumã até a foz do rio Gurupi, já na divisa com o Pará. Esta imensa região, recortada por baías, enseadas, ilhas e manguezais foi transformada em APA (área de proteção ambiental) em 1991. Observando o mapa do Maranhão compreendemos este aspecto peculiar da sua costa oeste; é um litoral extremamente entrecortado sendo difícil definir onde terminam os rios, começam as baías e os limites delas com o oceano atlântico. Milhares de anos atrás antigos vales por onde corriam rios foram afogados (submersos) pelo mar formando então estas imensas baías e os infinitos canais que ligam umas as outras.

Ilha dos Lençóis

Estes rios continuaram depositando sedimentos (barro e areia) tanto na foz como mar adentro, o que veio a formar imensos bancos de areia. Muitas destas ilhas, como a dos Lençóis, por exemplo, situada no arquipélago de Maiaú, a 180 km de São Luís, são formadas por estes sedimentos trazidos pelos rios. Os bancos de areia causam uma dificuldade muito grande para a navegação na região. Nos meses de setembro, outubro e novembro quando o vento nordeste sopra com mais intensidade, ondas imensas se formam próximas a estes bancos causando vários naufrágios. Mesmo em época de calmaria só navegadores experientes se arriscam por estas águas, já que a probabilidade de encalhar nestes bancos é grande. Na travessia de uma baía para outra, por entre canais que aqui ganham o nome apropriado de “furos”, a atenção tem de ser redobrada já que um erro pode causar conseqüências imprevisíveis.

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Manoel Português, o Capitão Nu!

admin | 29 de julho de 2007

Ilha dos Lençóis

Em 1980, quando cruzava a baia de São Marcos, de São Luís para Alcântara, vivenciei uma das experiências mais dramáticas da minha vida. Era o mês de setembro, quando os ventos são intensos e as ondas imensas, quando a vela do barco repleto de crianças e idosos começou a dar problemas. Houve um princípio de pânico e por pouco o barco não emborcou. Poderia ter sido uma tragédia! Há dez anos atrás era mês de abril e “diziam” que o mar estava tranqüilo e que não haveria problemas de chegar até a ilha dos Lençóis. Normalmente a viagem é feita em barcos de pescadores em acertos feitos previamente no porto de São Luís e dura em torno de 12 horas. Foi então que, apresentados por amigos, tivemos o grande prazer de conhecer o Manoel Português, o homem que ficou conhecido no Fantástico por andar nu!  Para nós que tivemos a oportunidade de conviver com ele por alguns dias pudemos conhecer bem mais do que esta curiosidade. Manoel Português fugiu da ditadura de Salazar em 64 e por ironia do destino veio bater aqui no Brasil na ditadura de Castelo. Veio de catamarã com um amigo e aqui ficou. Manoel não usa documentos de qualquer espécie, é um anarquista convicto. Vive na vila do Outeiro, próxima a Cedral, numa casa afastada na praia com a mulher Vita, uma negra de 1.80 m e mais uma dezena de filhos seus e de criação, além de netos e chegados. Nu, sim, realmente Manoel vive nu. Em casa, na praia, trabalhando no barco ou batendo um papo com os amigos da cidade que vão visitá-lo. Não há o menor constrangimento, todos sabem que ele é assim, naturalmente, sem forçar a barra. Mas o diferencial do Manoel não esta só no fato dele andar nu. Foi ele que, observando as condições locais de navegação (bancos de areia), introduziu o catamarã na região, pois este pode navegar com uma autonomia muito maior que os barcos locais. Além de ser construtor, ele planeja e executa os projetos. Manoel é um excelente marinheiro, ou capitão, e o maior conhecedor da região. Levou para viajar conosco a Vita e o Maneta, seu filho de criação. A Vita começou como nossa cozinheira, mas no decorrer da viagem foi promovida a barman (woman) já que era ela quem fazia as caipirinhas.  O Maneta era o grumete, estava apenas começando a viajar com o Manoel, sendo iniciado nas artes da navegação. É verdade, o mar estava calmo, a não ser na travessia de uma ou outra baia. Às vezes batia certo medo quando o Manoel saía um pouco mar adentro e ficávamos sem ver terra. Mas logo ele nos confortava dizendo quando e onde ia aparecer algum acidente geográfico. Sinceramente, o GPS de pouco serviu nesta viagem, a não ser para ficarmos brincando, fazendo comparações entre sua tecnologia e a do Manoel. Ás vezes as águas eram quase negras, tal a quantidade de sedimentos ali concentrados, em outras passávamos sobre bancos de areia onde era possível ver o fundo. Fizemos uma viagem em perfeita sintonia até a ilha dos Lençóis.

Ilha dos Lençóis

Lua cheia na Ilha dos Lençóis
Chegamos à ilha já noite e como a maré estava bastante cheia dormimos ali mesmo no barco. Na manhã seguinte, muito curiosos, saímos para “fazer o reconhecimento da área”. A ilha, que pode ser tranqüilamente contornada a pé numa única manhã é habitada por uma comunidade de pescadores e impressiona pela diversidade de ambientes ali encontrados. Antes de chegar onde os barcos ficam ancorados passamos na noite anterior por um canal margeado por mangues e depois pela manhã uma grande surpresa, dunas imensas, que se estendiam por  boa parte da ilha. A vilazinha fica ali entre o porto e as dunas. Seguindo a pé em direção à foz atravessamos uma área em que a lama vinha até os joelhos, o que fez as crianças da vila chorar de tanto rir quando nos viram “embananados” com câmeras fotográficas e de vídeo junto aos siris e caranguejos.  Foi o preço que pagamos para chegarmos até as piscinas de águas verdes da praia dos Lençóis. Caminhando ainda um pouco encontramos um “mangue seco”, antiga região de mangue que foi destruída pelo mar e pelas dunas, aparecendo agora apenas galhos esparsos fincados na areia da praia. A próxima praia, apesar de muito rasa para o banho, era de uma beleza estonteante já que suas águas verdes terminavam numa duna imensa. Subindo estas dunas tivemos então uma vista total da ilha. No seu interior pastavam jegues, cavalos e cabritos. Descemos a duna pelo outro lado e percebemos que já havíamos contornado a ilha e novamente estávamos no portinho da vila. A ilha dos Lençóis é envolta em mistérios. Nas noites de lua cheia, segundo a crença local, um rei encantado aparece montado num touro gigante, vagando pelas dunas. A ilha ficou conhecida nacional e internacionalmente pela grande incidência de albinos ali existentes. Hoje eles não passam de mais de dez, mas isso não impediu que ficassem conhecidos como os “Filhos da Lua”!

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São Luís: Bumba-Meu-Boi e reggae

admin | 24 de julho de 2007

São Luis

Imagine agora uma Alcântara multiplicada por dez! Este é o bairro da Praia Grande, centro histórico de São Luís onde neste mês de junho ludovicences (naturais de capital São Luís) e turistas se concentram para apreciar o Bumba – Meu – Boi, o Tambor de Crioula e mais para julho o Tambor de Mina. Além de ser a capital brasileira onde as manifestações populares são as mais preservadas e prestigiadas do país, São Luís também é considerada a “capital do reggae”. O ritmo jamaicano que chegou no início dos anos 70 foi ficando, ficando, e hoje pode ser ouvido e dançado durante todo o ano nos quatro cantos da ilha.

Praia do Calhau

As praias, por estarem na área de encontro do mar com vários rios (Baia de São Marcos) apresentam as águas um tanto turvas, mas bastante freqüentadas tanto por surfistas como pelos apreciadores de frutos do mar que lotam os quiosques na orla. Para os desavisados, é bom ficar de olho na maré, uma das mais altas do Brasil (6 metros). É comum o visitante chegar a um hotel da orla de São Luís e ver o mar quase batendo no asfalto. Horas depois a maré baixa tanto que dá a impressão de que ela foi “roubada”! No interior da ilha, na Lagoa da Jansen, também cercada de bares como o do Lula, pode-se beber caipiroscas de frutas como o cajá e a amora. Nosso amigo e anfitrião, Nan Souza, contou-nos à beira da lagoa que ao redor da ilha vive uma serpente gigantesca que cresce desde tempos imemoriais e que um dia abocanhará o próprio rabo. Quando isto acontecer a ilha afundará! Portanto, aproveite, pois nestes tempos de aquecimento global e mudanças climáticas nunca se sabe o que vai acontecer… E você, já provou uma caipirosca de amora?

Esta simbologia é tão forte que inspirou o www.saoluisconvention.com.br a adotar a serpente como marca.
Porém, trabalhando e apostando na possibilidade de que ao contrário da lenda, a ilha de São Luís não afunde, e sim fique cada vez mais bonita e hospitaleira.

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Alcântara: foguetes e folguedos

admin | 21 de julho de 2007

Alcântra

Imagine uma base de foguetes, ponto onde se concentra parte da mais alta tecnologia brasileira, próxima a uma cidade que abrigou a aristocracia rural do Maranhão nos séculos XVIII e XIX. Calma, esta não é mais uma aula maçante de história. A cidade é Alcântara, hoje tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que merece ser visitada por quem busca uma nostalgia silenciosa envolta nos velhos casarões que aos poucos vem sendo recuperados. Esta calma foi quebrada durante nossa visita. Noite de lua cheia e os folguedos juninos que balançam todo o Maranhão, também ali estavam acontecendo.

Boi

Na praça central barraquinhas com bebidas e comidinhas típicas abrigavam grupos de jovens, famílias e turistas, muitos deles estrangeiros. Nas calçadas, em suas cadeirinhas, velhinhas simpáticas aguardavam as brincadeiras. O primeiro a se apresentar foi um Bumba-Meu-Boi, a manifestação folclórica mais representativa do Maranhão. Depois veio um grupo de Côco, quase todo ele composto por negros, homens e mulheres, a maioria descendentes de escravos que se fixaram na região e vivem em comunidade mantendo com afinco suas manifestações culturais. O fato inusitado foi o mestre de cerimônias, que no intervalo das brincadeiras anunciava a presença do Projeto Litoral prestigiando a festa de Alcântara.
Do outro lado da Baía de São Marcos, bastante iluminada e certamente festeira, a ilha de São Luís, capital do Maranhão.

Para mais informações:

Rejane Muniz
Assessoria de Comunicação de Alcântara
rejanemuniz@alcantara.ma.gov.br
(98) 3337-1542
(98) 9114-6786

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