{"id":47,"date":"2007-08-07T16:48:16","date_gmt":"2007-08-07T19:48:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brasilpassoapasso.com.br\/blog\/?p=41"},"modified":"2007-08-07T16:48:16","modified_gmt":"2007-08-07T19:48:16","slug":"lencois-maranhenses-10-anos-atras","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.brasilpassoapasso.com.br\/?p=47","title":{"rendered":"Len\u00e7\u00f3is Maranhenses \u2013 10 anos atr\u00e1s!"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.brasilpassoapasso.com.br\/images\/images_blog\/pnlm001.jpg\" title=\"Len\u00e7\u00f3is Maranhenses\" alt=\"Len\u00e7\u00f3is Maranhenses\" height=\"227\" width=\"340\" \/><\/p>\n<p>Nossa chegada em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, a capital do estado nordestino com o maior n\u00famero de unidades de conserva\u00e7\u00e3o foi plena de ansiedade. Na parte leste do estado as dunas e as restingas predominam sendo que o extraordin\u00e1rio e \u00fanico Parque Nacional dos Len\u00e7\u00f3is Maranhenses \u2013 PNLM \u2013 era nosso objetivo maior .<br \/>\nPara conhecer o parque \u00e9 preciso muita aten\u00e7\u00e3o, cuidado e respeito! N\u00e3o \u00e9 o tipo do lugar onde voc\u00ea pode ir aventurando &#8211; se sozinho. Exige o acompanhamento de um guia ou de um nativo com conhecimento comprovado da \u00e1rea. Imagine 70 km de litoral por at\u00e9 30 km de dunas e lagoas verde-azuladas avan\u00e7ando continente adentro. E o mais incr\u00edvel, esta beleza repete-se a todo o momento. N\u00e3o h\u00e1 outro referencial a n\u00e3o ser o sol, a lua e o vento. Por mais que voc\u00ea tente encontrar a duna mais alta para poder achar o mar ou as pastagens, encontrar\u00e1 sempre uma outra duna&#8230; Por isto que entrar no interior dos Len\u00e7\u00f3is exige toda esta precau\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO PNLM \u00e9 um fen\u00f4meno \u00fanico no litoral brasileiro e no mundo. S\u00e3o 155 mil hectares de dunas. A primeira vista poder\u00edamos imagin\u00e1-lo como qualquer outro deserto do mundo, o Saara inclu\u00eddo. Mas o que torna o PNLM \u00fanico \u00e9 que ali chove 300 vezes mais do que no Saara e isto produz um fen\u00f4meno indescrit\u00edvel. As chuvas, que caem basicamente no primeiro semestre, o que eles chamam de \u201cinverno\u201d, enchem as lagoas. Entre maio e junho j\u00e1 no final do per\u00edodo chuvoso \u00e9 que as lagoas costumam transbordar formando um fen\u00f4meno muito interessante. S\u00e3o as \u201ccachoeiras\u201d na areia, \u00e1guas de lagoas muito cheias que vazam para outras.<br \/>\n\u00c9 bem verdade que no interior do nosso Saara tamb\u00e9m encontramos o\u00e1sis. A Queimada do Brito e a Baixada Grande s\u00e3o comunidades onde as pessoas n\u00e3o t\u00eam luz e muitas nunca viram um carro, uma televis\u00e3o ou qualquer coisa que n\u00e3o tenha sido trazida por gente de fora. Vivem da agricultura de subsist\u00eancia (mandioca), cria\u00e7\u00e3o de patos e galinhas, caprinos e alguns arriscam dar um pulinho at\u00e9 a praia (24 km ida e volta!), para pescar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.brasilpassoapasso.com.br\/images\/images_blog\/pnlm003.jpg\" title=\"Len\u00e7\u00f3is Maranhenses\" alt=\"Len\u00e7\u00f3is Maranhenses\" height=\"227\" width=\"340\" \/><\/p>\n<p>Aqui tivemos a oportunidade de acampar e conhecer o saudoso seu Brito. Era o patriarca da comunidade que levava seu nome e o pouco tempo que passamos juntos nos deu a oportunidade de aprender algumas coisas. Deitado em sua rede n\u00e3o economizava o sorriso, sempre fazendo uma goza\u00e7\u00e3o, uma brincadeira com os da cidade. N\u00e3o gostava de ser fotografado. Num mundo em que a imagem comanda e todos se curvam, o seu Brito ficava ali na sua rede como se dissesse \u201cdeixa eu ficar aqui no meu canto sossegado&#8230;\u201d<br \/>\nSeguimos caminho pois ir\u00edamos dormir na praia para seguir caminho at\u00e9 Travosa no dia seguinte,vila no extremo oeste do PNLM. Nosso guia foi o Jo\u00e3o, pescador que estava passando um tempo na Queimada. Tinha uma faixa na perna, mas caminhava forte subindo e descendo dunas iluminado pela lua cheia. Falava pouco e n\u00e3o largava sua garrafinha de pl\u00e1stico que no in\u00edcio pens\u00e1vamos ser \u00e1gua. Finalmente, depois de atravessarmos uma faixa imensa com \u00e1gua pelos joelhos chegamos \u00e0 praia. Achamos uma cabana de pescadores abandonada e optamos em pernoitar ali. Convidamos Jo\u00e3o para descansar um pouco, j\u00e1 que ele teria de retornar ao Brito ainda naquela noite. Foi ent\u00e3o que ficamos sabendo de suas hist\u00f3rias. Jo\u00e3o tinha, junto de alguns colegas pescadores, naufragado h\u00e1 tempos atr\u00e1s e ficado dois dias boiando em mar alto at\u00e9 ser resgatado. A bebida que levava nas m\u00e3os, n\u00e3o era \u00e1gua, e sim tiquira, uma aguardente feita da casca da mandioca! E foi ela que embalou nosso papo noite adentro!<br \/>\nO Parque vem sendo cada vez mais visitado por turistas, principalmente aqueles ligados ao turismo ecol\u00f3gico, cient\u00edfico e de aventura. Toda esta beleza envolve desde dunas e lagoas, fauna e flora, al\u00e9m das comunidades que ali existem e vivem em estreita harmonia formando por\u00e9m um ecossistema muito fr\u00e1gil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa chegada em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, a capital do estado nordestino com o maior n\u00famero de unidades de conserva\u00e7\u00e3o foi plena de ansiedade. Na parte leste do estado as dunas e as restingas predominam sendo que o extraordin\u00e1rio e \u00fanico Parque Nacional dos Len\u00e7\u00f3is Maranhenses \u2013 PNLM \u2013 era nosso objetivo maior . 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